Entrevista: Cyro de Oliveira, Natan Azevedo e Gustavo Russo
Os freestylers Cyro de Oliveira, Natan Azevedo e Gustavo Russo contam tudo sobre o esporte mais radical sob duas rodas. Conheça um pouquinho da história de cada um, num divertido bate papo para o Warm Up.

Os freestylers Cyro de Oliveira, Natan Azevedo e Gustavo Russo contam tudo sobre o esporte mais radical sob duas rodas. Conheça um pouquinho da história de cada um, num divertido bate papo para o Warm Up.

Warm Up: Podemos perceber que a modalidade Freestyle está crescendo no Brasil. Houve um aumento em matérias de TV e nos campeonatos televisionados. Queria saber a opinião de vocês sobre isso, há mesmo esse crescimento'
Cyro de Oliveira:
O Freestyle é mais que um esporte, ele é um show, um espetáculo onde conseguimos ter um contato muito grande com o público. Ele é muito fácil de ser televisionado, diferente das outras modalidades como o motocross que precisa de toda uma estrutura. O Freestyle pode ser feito em qualquer lugar, e isso é o que está fazendo o FMX ser o sucesso que é hoje no mundo inteiro.

Natan de Azevedo: Apesar de ser um esporte novo no país, está com uma popularidade enorme pelo seu radicalismo. É um crescimento fantástico! Concordo com que o Cyro disse, o fato de poder ter uma rampa móvel e toda essa estrutura mais prática, faz com que a gente consiga levar essa modalidade em uma praça, uma via pavimentada, em um jardim, um encontro de motos, um aniversário, até num batizado de criança (risos).

Warm Up: Em relação a qualidade dos eventos nacionais. Tivemos no mês de maio o Pro Rad, dá para comparar com os eventos internacionais'
Natan:
Esse evento teve a participação de Cyro de Oliveira na organização, e foi fantástico comparado com outros eventos já realizados no país, pela primeira vez tivemos uma área compatível com que precisamos, com mais liberdade e amplitude das manobras. O Pro Rad reuniu num único dia modalidades diferentes de esportes radicais, e junto com FMX aconteceu a competição de patins in-line no lado de dentro do ginásio. No momento que ligamos as motocicletas ninguém ficou dentro do ginásio, veio todo mundo assistir o nosso trabalho, e enquanto não terminou a premiação, a galera não arredou o pé. Isso é muito gratificante.
Outra informação interessante, foi o índice de audiência alcançado no Ibope. No sábado, durante o treino de Formula 1 (que é um esporte mundialmente conhecido) a pontuação do Ibope estava cerca de 5 a 6 pontos, e logo quando foi transmitido o programa com as motocicletas, pulou para 12, chegando a 14 pontos no Ibope. O pessoal da organização ficou muito feliz e a gente também.

Cyro: Dá para comparar sim com eventos internacionais, o campeonato foi muito bem organizado, com cobertura da imprensa. Os pilotos brasileiros são ótimos, os saltos estão com um alto grau técnico. Agora só falta uma evolução maior para os atletas competirem lá fora, um incentivo a mais ao esporte, que apesar de novo, já está fazendo fama no país. O FMX é um esporte visualmente lindo, que mostra o extremo que uma pessoa pode fazer com uma moto nas alturas, é de tirar o fôlego. Além do mais, há uma exposição muito grande da marca.

Warm Up: Vocês falaram das dificuldades enfrentadas pelos pilotos brasileiros para participarem das provas fora do país. O que vocês acham que impedem isso'
Gustavo Russo:
Bom, eu acho que nada impede os brasileiros irem para fora, tirando a dificuldade de treinamento de algumas manobras, pela falta de estrutura e também de verba para montarmos um centro de treinamento melhor, apesar de que as pistas montadas no sítio do Cyro e do Joaninha são as melhores do pais. Falta mesmo uma bagagem para os pilotos se igualarem aos atletas internacionais, pois com mais apoio e um bom patrocínio, o atleta consegue vencer fora do país, isso já foi demonstrado em vários outros esportes.

Natan: Estou de acordo com que o Russo disse, mas na minha opinião, falta nas competições um intercâmbio de pilotos participarem com os atletas gringos e outros atletas vindo participar com a gente. Mas isso acaba gerando um certo custo, pois para trazer um atleta de fora tem um cachê alto, e para mandar um piloto competir lá, também se gasta muito. Mas felizmente estão surgindo algumas oportunidades, esse ano irão dois ou três pilotos para os EUA para aprimorar suas técnicas em um centro de treinamento e aprender um pouco mais. O Cyro pode falar melhor sobre isso, porque ele é uns que irá fazer parte deste intercâmbio.

Cyro: Vou fazer esse intercâmbio no final de julho, começo de agosto, vou para os EUA para treinar na Metal Mulisha, um centro de treinamento com grande infra-estrutura. Também quero começar a aparecer no contexto internacional, já que o Freestyle é um esporte muito fechado e assim como no Mundial, só participam os pilotos convidados pelas federações, e para conseguir essa abertura, tem que ser um pouco conhecido lá fora. Nós estamos começando a procurar isso agora.

Warm Up: Você está indo por conta própria'
Cyro:
A gente está tentando apoio com nossos patrocinadores, mas é por conta própria.

Warm Up: Nós já falamos sobre isso, mas só para esclarecer: O que vocês acham que está faltando para os atletas do Brasil, chegarem ao grau técnico dos gringos'
Cyro:
Eu acho que não falta nada. Acredito que os freestylers estão muito mais próximos dos gringos que no motocross. Nós temos muita força de vontade, muita gente começando e um grande número de pilotos. Hoje tem mais pilotos aqui no Brasil do que na América Latina inteira. Os campeonatos também estão crescendo e tudo isso está fortalecendo o esporte. É por isso que acho que não estamos muito atrás dos pilotos internacionais.

Warm Up: Até o Back-Flip já conseguiram.
Cyro:
É. O Joaninha virou o back-flip (mortal de costas) na raça, sem precisar de piscina de espuma, foi praticamente um ato heróico, que demorou dois anos para fazer. Eu espero virar em 20 dias na espuma lá fora.

Warm Up: Mas vocês já fazem esse tipo de treinamento, como é a preparação de uma manobra nova, por exemplo'
Russo:
O problema é que a nossa espuma é limitada, eu já cheguei fazer o back-flip com motinho 65 cilindradas na espuma também, mas não é uma espuma segura para uma manobra tão difícil. Os centros de treinamentos do país ainda não estão adaptados para esses tipos de manobras, falta estrutura. Assim que conseguirmos construir, vai haver uma evolução muito grande nas manobras.

Cyro: A espuma é mais para as partes dos flips mesmo, e é aonde a gente deu uma estagnada por não ter essa estrutura aqui. Foi quando os gringos evoluíram mais, porque o resto das manobras a gente faz igual.

Warm Up: Quais são os próximos shows'
Cyro:
A gente está com a agenda lotada, nossos dois caminhões estão sem vagas até o final de julho, neste mês serão mais de 15 apresentações. Também iremos cobrir todos o eventos da Yamaha Fest até o final do ano.

Russo: Inclusive no último show que fizemos em um encontro de motociclistas, até fiquei meio assustado pela quantidade de pessoas que lotaram a cidade de Ivaiporã (PR). Mais de oito mil pessoas foram assistir nosso trabalho. A marca ASW está muito presente nesses tipos de eventos, nos enduros e nas prova de off road em geral, você vê o pessoal usando os equipamentos da ASW até com as motos street. Esta marca está crescendo muito.

Warm Up: Quando vocês optaram pelo Freestyle'
Cyro:
Eu parei de competir profissionalmente em 2003, mas antes disso, fiquei cinco anos competindo nos campeonatos Brasileiro, Catarinense e Paulista, corri três etapas do Mundial no Brasil, dois anos no Arena Cross, e foi quando venci minha primeira prova de Freestyle, nos Jogos Urbanos de 2003, a primeira prova televisionada, oficial e com federação. A partir daí, resolvi largar o motocross e ficar só com o Freestyle.

Russo: Também andei uns cinco anos de motocross, competia até pouco tempo atrás, mas gostava mesmo é de aparecer, tirar fotos, conversar com a galera. Foi quando descobri o Freestyle, comecei a ir aos shows e conheci o Jorge Negretti, tive a oportunidade de iniciar na modalidade há um ano. Foi por isso que eu entrei no Freestyle, por causa da união, das amizades, da adrenalina em cima da moto, do estilo livre que mexe com a imaginação de sempre querer fazer manobras novas. É isso que curto.

Natan: Assim como os dois, eu também era piloto de motocross e supercross, participava de algumas provas nos estados de Minas, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Eu conhecia o Freestyle apenas por DVD, mas me apaixonei ao assistir ao vivo uma apresentação de um francês, durante o intervalo do primeiro e único Mundial de Supercross no Brasil. Este francês me inspirou e começei a treinar no mesmo ano (em 98), a partir daí não parei mais. Em 99 já fazia algumas apresentações e foi quando conheci o Jorge Negretti e passei a fazer parte da equipe dele.

Warm Up: O que te inspira antes de ir para os saltos'
Natan:
Toda vez que eu vou saltar é como se fosse a primeira vez. É incrível esta sensação, é como se eu nunca tivesse saltado. E o que me inspira nesta hora é a confiança em Deus, além de muito treino que me dá mais segurança para eu fazer meu trabalho.

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